Os Painéis ou Quadros de Loja

Os três primeiros graus simbólicos ou Maçonaria Azul como também é conhecida, têm como princípio o uso de vários símbolos que caracteriza cada caminhada do aprendiz, companheiro e mestre. Fazem parte dos rituais uma linguagem própria,composta por gestos e vários objetos, cada qual com sua simbologia.Neste trabalho de pesquisa destacaremos os painéis que nos primórdios dos trabalhos realizados pela confraria nas pousadas ou tabernas eram usados no chão como cobridor do Templo, estes quadros não tiveram uma utilização generalizada nos diversos Ritos, mas os desenhos traçados neles fazem parte da simbologia dos três primeiros graus. Atualmente a simbologia usada nos quadros está baseada nos desenhos de John Harris e datam de 1845, que representa também a Loja ou Oficina onde é utilizado.






Nos painéis[1] há uma grande variedade de desenhos cada qual com um significado especifico e devem ser interpretados como um símbolo único, pois o conjunto de símbolos tem por finalidade representar a consciência humana do indivíduo no seio do mundo físico.
Painel do 1º grau - Aprendiz



Observando alguns símbolos do primeiro painel

O quadro que representa a Loja ou Oficina é composto de vários níveis com grande diversidades de representações. O quadro com atributos é contornado por um bordo dentado com quatro borlas, uma em cada canto. O bordo é na realidade uma corda com nós chamados de laços de amor. O Painel retangular contém em cada lado a letra correspondente aos pontos cardeais.
Na parte superior do painel representando a glória a estrela flamejante, no centro o luminoso Sol com os olhos de Hórus, antigo deus egípcio que tudo vê, na outra ponta a Lua crescente suave e mutável, ladeada por sete estrelas, voltada para o oeste, indicando o início, recomeço e muita força nas decisões. Os símbolos juntos representam a Lei da Unidade no Universo Relativo.
A sabedoria e força estão nas três colunas de ordem romana. A posicionada no fundo do painel é de estilo Jônico, a da esquerda de estilo Toscano e a do lado direito estilo Corintio, representando para a maçonaria três personagens, o Rei Salomão, Rei de Tiro e Hiram Abi.
A escada de Jacó que simboliza a Moral e o crescimento espiritual do homem, está posicionada na direção leste-oeste, com três representações do nível da consciência a fé, a esperança e a caridade. A fé esta representada por uma figura feminina erguendo uma taça ou coração, tendo ao colo um livro aberto, sob os seus pés o livro do conhecimento descerrado e por cima do mesmo o esquadro sobre o compasso simbolizando o aprendiz que aspira e confia nos que o ensinam.
A segunda representação feminina é a esperança segura uma âncora e chave que representa o companheiro, aquele que começa a retirar o véu da ignorância e a vislumbrar o conhecimento que o impulsiona para frente. A terceira figura feminina a caridade é a representação do Mestre, aquele que é capaz de auxiliar e ensinar os neófitos a conseguir atingir sua meta.
O piso em mosaico preto e branco unidos simboliza a união dos maçons representando também a dualidade da vida material. Os instrumentos da Oficina são chamados de Jóias e são o Esquadro, o Nível e o Perpendicular. As ferramentas o martelo, cinzel e a régua de 24 polegadas em cima da pedra bruta imperfeita que está sendo trabalhada. Do outro lado uma pedra cúbica pontiaguda. Sobre a prancha de traçar, planos e projetos a serem elaborados e a realizar.
Painel do 2º grau – Companheiro



Observando alguns símbolos do segundo painel

A porta de entrada desse painel está ladeada por duas imponentes colunas, encimadas por esfera uma terrestre e outra celeste, o chão como no primeiro painel é quadriculado nas cores preta e branca. Entre as colunas há uma figura masculina olhando para fora, representa o homem que deve retirar sua atenção do mundo profano para analisar, ponderar a natureza de sua alma.
A escada representada em forma de caracol, alude um convite para o indivíduo iniciar sua subida após tirar sua atenção do mundo físico. A forma da escada mostra que a evolução não é retilínea. Os quinze degraus representa o valor numérico do nome da dinvidade Yod-Heh.
As portas estão abertas para ele e seus instrumentos de trabalho são a Régua e o Nível que deve conhecer muito bem .
Pode aparecer no painel do companheiro a estrela flamejante ou delta radiado, mas qualquer uma das duas representação carrega no centro a letra G que simboliza o Grande Arquiteto do Universo.
Painel do 3º grau - Mestre



Observando alguns símbolos do terceiro painel

O processo que é demonstrado no desenho desse painel é comparável ao da morte, não a morte física mais, um processo psicológico onde o domínio do conhecimento abre as portas para que o companheiro possa transcender as limitações da vida humana, se for a vontade de Deus.
O ataúde pode ser apresentado de várias formas: aberto, sem tampa ou, como nesse painel, fechado, voltado para o Ocidente onde o sol se põe diferente dos dois primeiros graus que são voltado para Oriente onde o sol nasce. Para receber o grau de mestre o companheiro entra de costa para o Oriente com o questionamento: o que está por trás ou depois ?
Na parte superior encontra-se o compasso sobre o esquadro, símbolo do grau mestre. O compasso simboliza o espírito e o esquadro a matéria, representando o Espírito que transcende a matéria.
O crânio humano com tíbias cruzadas representa a putrefação alquímica, as tíbias cruzadas fazem referencia à cruz de Santo André que símboliza a perfeição espiritual. Segue com várias ferramentas do grau como: pano, lápis, compasso, skirrett e outras ferramentas.
A porta do Templo acesso para o santasantorum
[2]. Formando um triângulo formado por três números 5 que substitui a quinta letra do alfabeto hebraico – “heh” que significa abreviação do nome de Deus.
Os pontos envolta do caixão representa as marcas dos pés do mestre demonstrando sua capacidade de ir ao nível diferente da psique, do espírito a matéria.

Argamassa
Da Luz Templária à Perfeição Maçônica
Jussara Faria Cestari
2005


[1]Ilustrações do livro: MACNULTY,KIRK.W.Maçonaria. Viagem através do ritual e dos símbolos. Edição del Prado.RJ-1997
[2] Loja onde se reúne os Mestres Maçons


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